2 de setembro de 2010

Cainã






Divina é a história
Bela é a memória.




A atênção convivente
na vida
pelos outros
nem tem razão
nem porque
ser bem vinda.




Rascunhos do pequeno de nove aninhos.
Profunfo!

25 de agosto de 2010

Despedida


Para mim chegastes inteira, sem aviso.
Para você a chegada é consequência da
viagem iniciada a anos.
Entrastes em meu peito sem pedir licença.
Te aceitei balbuciando coisas sem coerência.
Doei passagens aos gritos e botei os pés no chão.
Me lancei sob teus braços mas anseio salvação.

-É tarde deixe-me dormir.
e você fingi me deixar para depois voltar em
devaneios instigantes.
- É tarde, devo partir.
E você finge não ligar e volta sempre me
acusando de não ter tido precaução em
me revelar.
Eu desfaleço e você me acorda.
Eu acordo e você me "grita".
O que fiz para me querer tão próximo?
Tão dentro? Tão em cima?

- É tarde "turbilhão", devo partir. E você me diz que sim.
"Mas não me digas assim por entre beijos."
Não me digas me apertando contra teu peito.

- É tarde...
- É tarde... É tarde.

22 de agosto de 2010

Quantas perguntas


E se partir agora?


Será fascinio?


O que toma esse meu coração amargo?


Será admiração o que sinto agora?


Será desilusão? Que força é essa


que me afasta e me atrai?


Que desejo é esse de estar e não estar,


de amar e não querer amar,


de falar e não falar?


Onde andará meu coração


perdido?


Porque caminhos seguem meus pensamentos?


Perdido em loucuras profundas,


em confusões de desejo, amor e dor.


Tateando no escuro a procurar um caminho


de saudade e razão para guiar minhas atitudes.


Mas ... para quê tanta razão?


Será suficiente tentar manter o equilibrio?


Quantas perguntas sem resposta!

17 de agosto de 2010

Dura Pena


Porque escorres assim tosco
Nanquim?
Mancha a folha, palavras fogem
de mim.
E a dura pena em me esgrimir
teima.
Me afronta, me enfrenta não me dá
calma.
Reage, enfrenta, afronta alma
covarde alma.


1999

8 de julho de 2010

Frenética Rotina, Frenética


Sinto-me sugado pelo relacionamento diário,
sugado da tentativa constante dos ensinamentos e necessidades do prazer de realizar.
Minha auto-exigência mais parece um flagelo a me perseguir.
Quem sou eu para me arvorar
da posição de tutor maior das acções dos próximos?
Minha auto-crítica mais parece um flagelo a me perseguir.
Não! Nunca descansarei na tarefa de realizar e quando as coisas derem errado,
mesmo por motivos alheios,
haverá sempre uma voz me dizendo que falhei em não me antecipar.
Ah, velho amigo!
Há quanto não és guardião compreensivo de minha introspecção?
Há quanto não guarda meus antagonismos?

6 de julho de 2010


Pela vida uma infinidade de pessoas nos cercam.

Cada uma delas deixa uma contribuição importante na construção da nossa pessoa.

Não importa se pelos erros ou acertos.

Pela vida todos nós participamos da construção do outro.

Se por um lado isso é difícil de percebermos...

Por outro, é improvável que se consiga negar.

24 de maio de 2010

Perde-se um HOMEM: Agiganta-se uma ALMA


Perde-se um HOMEM

Não careçam de procurá-lo

Antes busquem as estrelas

Busquem no céu que não é só isso ou em vossos olhos que não são só esses

Deixem a luz da lua acesa quando o fizerem. Cuidado para não tropeçar em sua própria ausência

Mas voem sabendo não serem pássaros e não esmoreçam por medo dos caminhos

Uma ALMA agiganta-se.

fiCA EM pAz dAMáRiO

23 de maio de 2010

Desejo, distância e poder


Quem sabe o que se esconde atrás do nosso

dócil curvar?

Tudo é tão belo e tão alheio. E quanto mais belo,

mais alheio.

Mesmo que pareça o belo avaliação individual,

todos achamos (ou nos levam a achar) tudo tão belo e tão distante.

Como poderá circular o poder de aproximação das

coisas belas desse mundo?

Tudo que nos agrada (ou parece agradar)

é tão distante!

10 de maio de 2010


Quem sabe o desejo de chorar não tenha me feito sorrir naquele momento inoportuno
Quem sabe tenha fitado a minha insônia
Como estaremos, nesse escuro, seguros dos nossos passos?
Como estarei sendo guiado por teus olhos?
Desculpe o meu mergulho profundo de metáforas imprecisas.
Nesse momento curvo-me em reverência
e na simplicidade da minha alma
deixo-te......
apenas...


...um beijo.

9 de maio de 2010

Recado


Ousei deixar um recado para mim mesmo!
Um recado que me lembrasse quem sou. Uma carta ao futuro para o caso de me esquecer!
Está frio lá fora e aqui dentro apenas o silêncio impiedoso, independente, como se vivesse a despeito do seu oposto!
Penso que alguém morre toda vez que nos calamos!
Diga-me pois, lhe direi!
Minta-me! Te amarei!

28 de abril de 2010

Prefiro escrever a lápis


O tosco grafite escorregando pela página,

O som! Ah, aquele som!

Me da um tipo de fome diferente.

Vontade de devorar a página, os espaços vazios!

O cheiro do papel, do lápis, da borracha,

da tinta da esferográfica!

As formas se compondo na folha. O caderno a esperar...


Pensando bem não devoramos espaços, páginas ou grafites.

Somos devorados por esses amigos que sugam tudo que podem

até desvanecermos em um sono profundo!


(14/03/04)